Dia 8 de Abril de 2009, Marrocos
Paisagens lindíssimas, horizontes longínquos, nos quais pousava o sol.
Estávamos na pista Erfoud-Zagora, que faz parte do desafio mais mediático do Todo-o-Terreno: falo, portanto, do Paris-Dakar.
O pôr-do-sol em Marrocos, assim como noutro qualquer local onde a beleza transborda, proporcionava momentos para fotografias e breves filmagens. Havia apenas um contra: o piso causava uma turbulência e ruído enormes mas, como tudo faz parte da aventura, só temos de o incluir e apreciar estes lugares idílicos e suprassensoriais!
Tudo corria às mil maravilhas quando, de repente, a temperatura do Ssangyong dos "Rolinhas", até ao momento considerado o mais problemático jipe, dispara! Faz-se parar a caravana e verifica-se o problema do carro, sem desligar o motor, pois seria um erro crucial desligá-lo! Rompeu um tubo do radiador. Experimentam-se tubos, cortam-se e limam-se as pás da ventoinha e a máquina está novamente pronta! Tivemos a sorte de os mecânicos de serviço estarem munidos de material e ferramentas próprias!
Arrancámos ainda na pista e entretanto cai a noite...
Despertam-se um conjunto de emoções muito diversificadas: um misto de preocupação pela seriedade da situação e uma confiança que o grupo deposita em todos, como equipa. Por isso, acabou por se tornar num momento de boa disposição e sentido de humor, havendo até espaço para breves gargalhadas, neste ambiente lunar incaracterístico:
- "(...) lacadas que se ouvem devido ao piso.": explica o Nelson
- "O jipe porta-se bem, mas o condutor está com medo!": Filipe
- "Não te preocupes. Usam-se os tampões da piscina!": Nelson
Faltavam ainda 5 Km de pista até ao hotel, em Zagora. No entanto, tendo em conta o piso que calcorreávamos, tínhamos de nos guiar em horas para designar a distância que faltava. Assim, o troço de pista que percorremos corresponde a 2h de jipe, mas o trilho completo de Erfoud até Zagora implica o despertar às 8h para se conseguir jantar tranquilamente às 22h, no hotel!
Noite cerrada, lua nova marroquina, cujo brilho intenso clareava o negrume paisagístico. Foi neste estranho ambiente que encontrámos um grupo de crianças muito novas, pobres, descalças, que pediam água, comida e um olhar atento da nossa parte... Pelo rádio, o Nelson comunicou: "Ok. Aqui podemos parar e dar tudo o que se quisermos. Há aqui crianças a precisar da nossa ajuda." Em sobressalto, parámos os jipes e saímos para aquele piso negro e rochoso. Distribuímos o que achámos conveniente. Desse grupo de miúdos, saltou à vista uma expressão no olhar de uma menina, cuja idade não ultrapassava os 2 anos, vestida de vermelho, sem qualquer tipo de calçado ou meias. Assustada com a nossa presença, a menina praticamente não teve reação àquilo que lhe era dado, mas nós emocionámo-nos muito com a profundidade do seu olhar.
Ver pobreza faz-nos pensar, mas senti-la de perto, arrepia- -nos...
olá pessoal ...
ResponderEliminarAntes de mais muitos parabéns a Ana pelo seu trabalho e dedicação, (tinhas um bom futuro como reporter)... Há momentos no deserto que duram minutos ou mesmo segundos, mas perdurao para toda a vida.
um abraço TT
boas,
ResponderEliminarEfectivamente, são esses momentos que nos motivam e, ao longo do ano, no trabalho ou fora dele, estejamos constantemente a pensar na próxima expedição. Quem tem oportunidade de conhecer Marrocos, por entre dunas e trilhas, quer repetir. Abraço
Olá pessoal da aventura!!
ResponderEliminarTenho e pensado e já tenho dito:
"Quando saio para viajar, é para valer a pena".
Procurar o desconhecido e lugares recônditos sempre me entusiasmou quer em percursos grandes ou pequenos, o importante são as várias componentes da aventura que é saber onde estamos, para onde queremos ir, é conhecer outros locais, outras gentes e outras culturas e também "coleccionar paisagens e histórias" para mais tarde recordar...
TóZé
Olá Naturjipeiros,
ResponderEliminarTemos acompanhado a evolução do nosso blog e da-mos os parabéns a quem nele tem investido o seu tempo.
Abraço Eléctrico,
Família Pinto